sábado, abril 30, 2005

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foram 14 perguntas feitas por 14 jornalistas ao presidente luiz inácio lula da silva ontem em sua primeira entrevista coletiva para veículos de comunicação. lula fez isso não para ser bonzinho com a mídia, porém de fato ele a atende pouco. o motivo enobrecedor e obrigatório das entrevistas coletivas deveria ser aumentar o relacionamento das autoridades com a sociedade por intermédio de um debate crítico e construtivo com jornais, rádios, tvs e outros meios. porém, ontem o presidente não foi devidamente sabatinado e ganhou força o outro motivo das entrevistas coletivas, criar falsos eventos para permitir pronunciamentos favoráveis ao governo de plantão que saíam publicados na mídia como notícia.
lula e duda mendonça ficaram os dois dias anteriores ensaiando para que o discurso do presidente não caísse em possíveis armadilhas dos jornalistas. porém, a não permissão de réplicas para as respostas do presidente foi a principal arma do governo. o presidente já foi pronto para entrevista, sabia o que responder para cada assunto cabeludo de sua administração, desse modo cada pergunta que lhe foi feita virou na verdade um pronunciamento oficial, não houve a possibilidade dos jornalistas rebaterem as respostas. nesse formato o presidente podia tanto responder adequadamente às perguntas, como enrolar e fugir dos assuntos.
de fato, as respostas foram quase todas idênticas aos discursos que o presidente costuma fazer em eventos oficiais. creio que de novo e um pouco importante foi lula ter admitido falhas na eleição do presidente da câmara dos deputados, na precária situação das estradas brasileiras e na política de juros como único artifício para conter a inflação. mas, como não houve réplicas, ele não foi forçado a explicar as razões desses erros e o que pretende fazer para resolver.
mesmo com esses problemas é evidente também que os jornalistas poderiam ter feito perguntas mais incisivas, afinal entrevista coletiva não é palanque eleitoral.