segunda-feira, abril 18, 2005

futebol

o fluminense tem o antigo apelido de “pó-de-arroz” não apenas por ser classificado como pipoqueiro pelos adversários. quando o clube das laranjeiras foi fundado (1902) os negros não podiam jogar por lá, e a solução ridícula e vexaminosa mais tarde encontrada para essa proibição foi passar pó-de-arroz na pele escura dos atletas de ébano.
é claro que os negros sempre foram em maior quantidade os melhores jogadores de futebol brasileiro. assim, o racismo teve de ser engolido ou virar algo “cordial”, como acontece em tantas outras atividades. aceitamos os negros porque eles são em grande número no país ou importantes em muitas áreas: esportes, artes, ou, sem hipocrisia, nos trabalhos mais pesados e menos remunerados. porém, mesmo aceitando o negro, insistimos no preconceito, como é corriqueiro no meio do futebol nacional (e mundial), com termos como negro sujo e macaco em quase todas as partidas, e pouco permitimos que os negros façam parte de outras áreas de maior poder aquisitivo.
claro que o argentino mereceu a prisão, mas isso aconteceu também pela rivalidade com o vizinho e porque deu boa visibilidade para a polícia e a justiça de são paulo. isso devia ter acontecido antes, com brasileiros em campeonatos nacionais, já que insultos racistas são comuns por aqui.