sábado, abril 23, 2005

jorge

Jorge, santo do século IV, príncipe da Capadócia ou plebeu, que arrancou e destruiu o edito de Diocleciano contra os cristãos. Martirizado a 23 de abril de 303, seu dia votivo. Venerado na Rússia, Itália, Inglaterra (patrono em 800), Portugal, etc. Tornou-se um perseu cristão, cavaleiro andante, vencedor de dragões e salvador de virgens cativas, casando com uma princesa egípcia e morrendo em Coventry.

Os gregos o chamavam megalomártir o grande mártir. O rei Fernando de Portugal, recebeu a tradição de São Jorge através dos ingleses que o tinham como padroeiro. Dom João I, o fundador da dinastia de Aviz, tornou-se seu devoto e o fez patrono nacional em substituição a Santiago, que o era igualmente dos castelhanos mandando que a imagem figurasse, montando um cavalo, na procissão de Corpus Christi, onde saiu pela primeira vez em 1387. Na festa de Corpus Christi no Brasil (Rio de janeiro, São Paulo, Bahia, etc.) a figura se São Jorge montado num cavalo branco e cercado de aparato militar, era o maior centro de interesse.

No Rio de Janeiro a imagem possuiu capelinha na rua São Jorge. A Irmandade, em 1854, agregou-se à confraria de São Gonçalo Garcia. A imagem que recebia as continências de todas as forças militares salvas de artilharia e era acompanhada pelo "Casaca de Ferro" vestido de folhas-de-flandres, imitando um guerreiro medieval, está recolhida à igreja de São Gonçalo Garcia, na praça da República (Melo Morais Filho, Festas e Tradições Populares do Brasil, 'Corpus Crhisti, a Procissão de São Jorge', 257-264, Rio de Janeiro, 1946; Vieira Fazenda, 'Antiqualhas de Memórias do Rio de Janeiro', Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, tomo 86, v. 140, 237).

Na cidade de Salvador, São Jorge saiu até 1865, com séquito e o "Homem de Ferro" (João Silva Campos, Procissões Tradicionais da Bahia, 234, Bahia, 1941). Em São Paulo veio até 1872, quando, desequilibrando-se, a imagem caiu sobre um soldado, matando-o. Está guardada no Museu da Cúria Metropolitana (Paulo Cursino de Moura, São Paulo de Outrora, p. 40. São Paulo, 1943).

No populário, São Jorge é invocado como defensor das almas contra o demônio, tentações, suspeita de feitiço, rivalizando, dentro de certa medida, como o poderoso São Miguel. Nos candomblés da Bahia identificamo-no com Oxóssi e Odé, e nas macumbas do Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre com Ogum.
(CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro)

ORAÇÃO DE SÃO JORGE

Jesus adiante, paz e guia
Me recomendo a Deus e à Virgem Maria, minha mãe
Aos doze apóstolos, meus irmãos
Andarei noite e dia
Eu e o meu corpo criado
E com as armas de São Jorge circulado

O meu corpo não será preso, nem ferido
Nem o meu sangue derramado
Andarei tão livre como andou Jesus Cristo
Nove meses no ventre da Virgem Maria

Meus inimigos terão olhos e não me verão
Terão boca e não falarão
Terão pés e não me alcançarão
Terão mãos e não me ofenderão
Pela glória de São Jorge
Amém, Jesus


(XIDIEH, Osvaldo Elias. Narrativas populares)

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