quarta-feira, abril 13, 2005

zatoichi 3

zatoichi


conversas infantis numa taverna regadas a saquê. um viciado em jogos de azar. uma gueixa travesti. do meio para o fim, “zatoichi” é um filme muito engraçado, tem um humor singelo. as pessoas, inseridas na violência e na tensão, não esquecem de sorrir. o apostador compulsivo shinkichi, um verdadeiro imbecil, desastrado e nada modesto, acaba virando o parceiro de zatoichi. numa cena shinkichi tenta imitar seu amigo samurai e inventa de ensinar artes marciais para três adolescentes. claro que fracassa de forma hilária e apanha dos jovens. piada simples, mas com uma metalinguagem interessante, pois ao tentar coreografar uma luta com a intenção de ensina-la, o tolo mostra na verdade como foram feitas todas as batalhas do filme. desfaz a ilusão do cinema.
outros personagens fabulosos em cena são o casal de irmãos gueixas. num primeiro olhar, eles fazem parte de uma história trágica, pois quando crianças tiveram seus pais e familiares mortos por uma gangue. ao menino e a menina órfãos sobrou apenas tentar sobreviver de forma indigna: os dois se travestem de gueixas e passam a vender seus encantos e corpos.
o menino gueixa curiosamente (ou não?) encanta mais os homens, e assume com coragem a proteção da irmã, a qual se dedica a tocar um instrumento musical para seu irmão dançar e enfeitiçar os fregueses. os dois fazem um pacto de amor fraterno e de vingança, já que quando crescem passam a matar os clientes que pertenciam à gangue de assassinos. porém, o humor aparece porque o filme aborda o caráter inusitado de uma gueixa homem, contudo sem preconceitos ou maniqueísmo, ao contrário, essa situação também faz parte da motivação do samurai zatoichi.
sobre a música, na trilha sonora ela é parte da sincronia da vida, já que embala cenas de fazendeiros preparando a terra e trabalhadores construindo uma casa. o ritmo é uma fusão da tradicional música japonesa com sintetizadores eletrônicos.
perto do fim, quase todo o elenco do filme participa de um festival de música, uma espécie de “gran finale”. todos dançam, sapateiam, ao som de uma música percursiva contagiante e forte. na telona do cinema isso vira um ritual humanista, uma reconciliação do passado e do presente dos personagens, algo que te deixa com um grande sorriso.