quarta-feira, agosto 17, 2005

eu adoro melodramas!

ontem, também assisti a um cult de uns anos atrás, 'dançando no escuro' (2000). já faz tempo que eu queria vê-lo, muitos amigos se derretem em elogios por ele. só agora encontrei tempo e oportunidade.
superei minhas expectativas, me surpreendi muito. é um filme magnífico! chorei pra caramba! o filme tem uma história à moda daqueles melodramas mexicanos: uma mãe solteira da ex-checoslováquia imigra para os eua e trabalha feito uma condenada a fim de pagar uma cirurgia para seu filho portador de uma doença congênita e hereditária na visão, enquanto isso ela é explorada no trabalho e roubada pelo senhorio, além de estar ficando cega.
com esse roteiro, como fazer um filme que não fosse forçado e ultrapassado? fazendo um musical antiilusionista! os musicais talvez sejam o gênero cinematográfico mais fantasioso de todos. em alguns, todos os diálogos são inteiramente cantados, algo que particularmente eu acho chato. é muito difícil agüentar por duas horas alguém dançando e cantando sem parar!
'dançando no escuro' subverte isso, mistura musical com drama de uma forma que eu nunca vi. selma, a protagonista, enxerga muito mal e busca alegria na vida sonhando acordada. ela é fã dos musicais de hollywood e, mesmo estando em lugares horríveis, como no seu trabalho ou na prisão, percebe os sons do ambiente e inventa melodias e músicas que a transportam para seus doces musicais, onde ninguém sofre, todos são felizes.
as canções e coreografias têm uma triste beleza e uma estranheza que tornam a trágica história de selma cheia de poesia. e o que dá ainda mais força e realismo é o fato de que selma é interpretada pela própria compositora das canções, a islandesa björk. ela dá vida a sua personagem de uma forma muito comovedora. é impossível não sentir pena ou torcer por essa mulher que dá a própria vida por amor ao seu filho.
realmente, isso é uma coisa intrigante nas mulheres, principalmente nas mães. agora que sou pai, entendo melhor isso. fico vendo a forma como a shirley trata a mariana, uma dedicação e resignação infinitas. é um dos mistérios mais belos da vida. no filme, selma diz que sabia que seu filho nasceria doente, mas mesmo assim teve ele porque queria segurá-lo nos braços, queria ser mãe. depois, deu sua vida para que ele se curasse. selma nos mostra que o mundo das mulheres é feito de amor, abnegação e culpa.
hoje, eu li que o diretor do filme, lars von trier, completou uma trilogia sobre o martírio das mulheres. 'ondas do destino' e 'os idiotas' foram outras realizações anteriores sobre o sacrifício feminino. agora, mais ainda quero assisti-los também.
aliás, von trier foi do dogma 95, aquele grupo de cineastas dinamarqueses que propunha um cinema mais simples e natural, sem fotografia, sem estúdio, sem trilha sonora e filmado com câmeras digitais na mão. 'dançando no escuro' aproveita um pouco dessa estética, pois é feito com equipamento digital. isso foi outro trunfo do filme, pois a sensação de naturalidade, realidade é muito maior com a câmera na mão. ela é mais ágil e possibilita enquadramentos mais verdadeiros. bem diferente daquele esquemão do cinema norte-americano, com quadros frios e imóveis. parecem que foram filmados todos pelo mesmo operador de câmera.
'dançando no escuro' tem muitas outras qualidades, mas não vou escrever agora, pois a marianinha tá chorando. vou ver o que é. e também não é legal estragar a surpresa para quem ainda não viu.
ganhou a palma de ouro e melhor atriz (björk) em cannes.

dancer in the dark

terça-feira, agosto 09, 2005

CPMI DOS CORREIOS

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