sábado, maio 20, 2006

solyaris

o cientista snout


snout

Que é um homem normal? Um homem que jamais cometeu um ato infame? Talvez. Mas será que ele nunca teve pensamentos descontrolados? Talvez não tenha tido. Mas talvez alguma coisa, um fantasma, tenha se levantado dentro dele, há dez ou trinta anos, algo que ele reprimiu e depois esqueceu, que ele não teme, já que sabe que jamais permitirá que isso se desenvolva e o leve a alguma ação. E agora, de repente, em plena luz do dia, ele se depara com essa coisa... Esse pensamento, corporificado, preso a ele, indestrutível... (...) E você se considera um psicólogo, Kelvin! Quem não teve, em algum momento de sua vida, um devaneio louco, uma obsessão? Imagine... Imagine um fetichista que se apaixone por, digamos, uma peça de roupa suja, e que ameace e implore e enfrente qualquer risco a fim de obter o amado pedaço de trapo (...) Um homem que ao mesmo tempo sente vergonha do objeto de seu desejo e o ama acima de tudo, um homem que está disposto a sacrificar a própria vida pelo seu amor (...). Portanto, da mesma forma, existem coisas, situações, que ninguém ousa exteriorizar, mas que a mente produz por acidente em um momento de aberração, de loucura, chame como quiser. No estágio seguinte, a idéia transforma-se em carne e sangue. Isso é tudo.